Preso pela PF, Henrique Eduardo Alves foi deputado por 44 anos e responde a outras acusações na Justiça
O ex-presidente da Câmara e ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), preso na manhã desta terça-feira (6), acusado de receber propina pela construção do estádio Arena das Dunas, de Natal, exerceu o mandato de deputado federal por 44 anos ininterruptos. Filho do ex-ministro e ex-governador Aluizio Alves, já falecido, ele chegou ao Congresso em 1971 e de lá só saiu no início de 2015, após perder a disputa ao governo estadual. Com 11 mandatos, ele empata com o ex-presidente da Câmara Ulysses Guimarães (PMDB) na segunda colocação entre os deputados com mais legislaturas. Os dois perdem apenas para o ex-deputado baiano Manoel Novaes, que exerceu 12 mandatos, entre 1933 e 1982, detentor do recorde nacional.
Presidente da Câmara entre fevereiro de 2013 e fevereiro de 2015, Henrique Eduardo Alves foi ministro do Turismo nas gestões de Dilma e Michel Temer. Amigo pessoal do presidente Michel Temer, o peemedebista deixou o cargo em junho de 2016 após ser citado na delação do ex-senador e ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado como beneficiário de R$ 1,55 milhão em propina, entre 2008 e 2014.
Mas as encrencas contra o ex-deputado de 68 anos não se limitam à suspeita de recebimento de “vantagens indevidas” para a construção de um dos mais belos estádios da Copa de 2014.
Dinheiro na Suíça
Ele é réu em pelo menos outras duas ações no Distrito Federal. No primeiro caso é acusado de lavagem de dinheiro e evasão de divisas em razão de depósito milionário em conta mantida por ele na Suíça. A denúncia é baseada em dados enviados da Europa para autoridades brasileiras. Na conta, que está bloqueada, foram encontrados 800 mil francos suíços, cerca de R$ 2,8 milhões.
Na defesa feita na Justiça Federal em Brasília, Henrique Eduardo Alves confirmou que era formalmente o beneficiário da conta, mas alegou desconhecer como essa quantia foi parar lá. Ele declarou que abriu a conta no exterior após a separação conturbada de sua segunda esposa, Priscila Jimenez, em 2009. O ex-deputado afirmou que a finalidade de “proteção contra a ganância de herdeiros” é assegurada pelos bancos suíços.
“Enquanto sua vida pessoal passava pela tormenta que antecede quase toda separação, o acusado [Henrique Eduardo Alves] foi aconselhado e passou a considerar a possibilidade de abrir conta no exterior para receber uma parte da receita que vinha auferindo após a reorganização societária da TV Cabugi”, disse a defesa.
Fonte: Congresso em Foco

