10/02/2017

Ministro do STF decide nesta sexta sobre nomeação de Moreira para ministério Leia mais sobre

Ministro do STF decide nesta sexta sobre nomeação de Moreira para ministério  Leia mais sobre.

BRASÍLIA — O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), vai julgar nesta sexta-feira as ações apresentadas pelo PSOL e pela Rede contra a nomeação de Moreira Franco para o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. O peemedebista está com a sua situação no governo indefinida desde a última quarta-feira, quando uma liminar de um juiz federal em Brasília suspendeu sua nomeação para o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Nesta quinta-feira pela manhã, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília, revogou a decisão, permitindo que ele voltasse ao posto. Em seguida, nova reviravolta: uma juíza federal do Rio de Janeiro concedeu outra liminar impedindo que ele seja ministro. À noite, mais uma liminar, da Justiça Federal do Amapá, também suspendeu a nomeação.
Existem no STF duas ações, apresentadas pelo PSOL e pela Rede, contra a nomeação de Moreira Franco. Ontem, Celso de Mello prometeu julgá-las até esta sexta-feira. Ele já recebeu um memorial sobre o assunto da advogada-geral da União, Grace Maria Fernandes. Antes de decidir, Celso de Mello vai levar em consideração os argumentos do governo e da oposição. Ele explicou que os juízes que deram liminar até agora estão no exercício correto da função, porque eram ações populares. O foro desse tipo de ação é a primeira instância da Justiça Federal.
- Os juízes de primeiro grau têm competência em sede de ação popular. Mandado de segurança obviamente deve ser no Supremo, porque o ato apontado como coator emana do presidente da República - declarou.
Nas ações ajuizadas no STF, os partidos argumentam que a nomeação não tem a finalidade de aprimorar o corpo técnico da equipe de Michel Temer, mas sim de dar a Moreira Franco o direito ao foro especial. O nome do político foi citado na delação premiada dos executivos da Odebrecht, o que poderá gerar novos inquéritos na Lava-Jato.
"O ato praticado implica intervenção direta, por ato do presidente da República, em órgãos do Poder Judiciário, com deslocamento de competência e obstrução da Justiça. As investigações contra Moreira Franco, que tramitam perante a 13ª Vara Federal de Curitiba, seriam deslocadas para a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, instância onde tramitam as investigações da Lava-Jato dos privilegiados pelo foro", argumenta o PSOL na ação.
Com a situação profissional em suspenso, Moreira Franco suspendeu a agenda de trabalho e ficou em casa à espera de uma definição jurídica. Um assessor presidencial disse ao GLOBO que a expectativa de Michel Temer era de que Celso de Mello restabelecesse Moreira no posto de ministro. Temer chegou a ser aconselhado por auxiliares a sugerir uma licença a Moreira até que sua situação se resolvesse. No entanto, o governo prefere apostar numa definição do STF.
Quando soube da segunda liminar suspendendo a atuação de Moreira, Temer se mostrou "indignado", segundo relatos de auxiliares, com a justificativa da juíza Regina Coeli Formisano, da 6ª Vara Federal do Rio. Em sua decisão, a juíza pediu "perdão" a Temer pela "insurgência", mas alegou que estava sendo leal a lições de Direito aprendidas com ele. Temer chegou a pensar em responder a Regina Coeli Formisano, mas acabou sendo contido pelos auxiliares.
"Peço, humildemente, perdão ao Presidente Temer pela insurgência, mas por pura lealdade às suas lições de Direito Constitucional. Perdoe-me por ser fiel aos seus ensinamentos ainda gravados na minha memória, mas também nos livros que editou e nos quais estudei. Não só aprendi com elas, mas, também acreditei nelas e essa é a verdadeira forma de aprendizado", escreveu a juíza em sua decisão.
Regina Coeli foi um dos magistrados que suspendeu a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao cargo de ministro da Casa Civil, em março do ano passado. A juíza viu na nomeação de Moreira o mesmo propósito de garantir foro privilegiado: "Tudo leva a esse entendimento, especialmente pelo fato de que referida recriação de ministério já extinto, em cumprimento a promessas de redução da estrutura estatal, ter-se dado de forma açodada e através de Medida Provisória, que tem por pré-requisito providências urgentes e inadiáveis".
A magistrada disse ter conhecimento da distribuição de diversas ações similares por todo o país pedindo a suspensão da nomeação e comparou a atitude de Temer ao nomear Moreira com a de Dilma ao indicar Lula.
"Por outro lado, também não se afigura coerente, que suas promessas ao assumir o mais alto posto da Republica sejam traídas, exatamente por quem as lançou no rol de esperança dos brasileiros, que hoje encontram-se indignados e perplexos ao ver o seu Presidente, adotar a mesma postura da ex-presidente impedida e que pretendia também blindar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva", anotou a juíza.
À noite, o juiz Anselmo Gonçalves da Silva, da 1ª Vara Federal da Macapá, também concedeu liminar para suspender a nomeação de Moreira. A decisão do juiz de Macapá foi tomada a pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Para o parlamentar, a nomeação foi um episódio de "abuso imoral e escancarado" em que o presidente Michel Temer fez a nomeação para poder dar foro especial a Moreira Franco. Ele escreveu que o quadro é de "resplandecente desvio de finalidade".


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