24/11/2016

Haddad vai deixar R$ 6 bilhões no caixa para gestão Doria em SP

Haddad vai deixar R$ 6 bilhões no caixa para gestão Doria em SP.


O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), vai deixar cerca de R$ 2 bilhões em caixa, em janeiro do ano que vem, como "herança" para seu sucessor, João Doria (PSDB). A quantia representa o saldo líquido que estará nas contas da prefeitura, sem contar a verba já empenhada com restos a pagar, que fica em pouco mais de R$ 4 bilhões. Para se ter ideia, caso a arrecadação da cidade fosse completamente suspensa em janeiro, os recursos seriam suficientes para arcar com 40 dias de operação da prefeitura.
Apesar da crise econômica, os valores são semelhantes aos números deixados pelo então prefeito Gilberto Kassab (PSD). Em 2013, quando Haddad assumiu, o caixa herdado somava R$ 5,8 bilhões, em valores atualizados, dos quais R$ 2,5 bilhões não estavam comprometidos --ou seja, 2 % a mais. Os demais R$ 3,3 bilhões eram restos a pagar --reserva usada para custear contratos e convênios já assinados, por exemplo.
Além da verba para os restos a pagar, parte dos R$ 2 bilhões que Haddad deixará para Doria também tem regras para ser gasta. Os recursos arrecadados com a venda de Cepacs --títulos negociados com construtoras que têm interesse em construir mais que o permitido--, por exemplo, deverão ser aplicados obrigatoriamente em regiões que passam por um processo de revitalização urbana. Em janeiro, essa fatia será de R$ 1 bilhão.
De acordo com o secretário municipal de Finanças, Rogério Ceron, o montante que será repassado a Doria é resultado do controle fiscal, mesmo diante dos problemas de arrecadação enfrentados pela cidade ao longo dos últimos quatro anos.
Ceron explica que o "saldo" dos Cepacs para investimentos nas áreas das operações urbanas caiu nos últimos anos porque Haddad escolheu investir a verba arrecadada com o setor imobiliário em novas obras.
A Ponte Laguna, construída pela prefeitura na marginal Pinheiros, é exemplo de intervenção viabilizada com verba de Cepac na região do Brooklin. A estrutura liga o bairro à rua Laguna, do outro lado do rio Pinheiros. Tem três faixas e ciclovia com acesso direto ao parque Burle Marx.
O argumento da prefeitura é que, realizando as obras nas áreas de operação urbana, as regiões ficam mais valorizadas e, assim, os leilões seguintes de Cepacs têm chance de obter mais interessados e lances mais altos na procura por esses títulos.
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